1º dia de aula do 2º Semestre de Engenharia de Produção

Imagem 0036 - ifsp sol inverno caixa aguaFoi tudo tranquilo, quem diria? Senti paz em estar ali, com as esperanças renovadas de que eu vou conseguir.

No trajeto de metrô, me sentia tremer e suar frio. Ler não estava resolvendo e muito menos ouvir música. Estava com medo das perguntas ou das cobranças. Eu dei mancada no semestre passado, estava esperando retaliações ou, no mínimo, satisfações. Tirando uma menina, ninguém me perguntou nada e muito menos cobrou qualquer coisa de mim. Até achei que ficaram felizes de me ver, brincaram comigo e me trataram bem, principalmente os meninos.

Mas esse semestre vai ser puxado. Vou fazer sete disciplinas, sendo que duas é do semestre anterior. Álgebra Linear, Desenho para Engenharia II, Metrologia Dimensional, Cálculo Numérico, Programação de Computadores II, Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia I e Geometria Analítica e Vetores. Não vou ter aulas na Segunda (estou realmente muito feliz com isso) e de Terça e Quarta terei aulas à tarde, até 15h 30min (salvo engano).

Eu realmente gosto daquele lugar, por mais que seja um prédio bem velhinho, cheio de goteiras, salas precisando de boas reformas, um calor infernal no Verão e um frio polar no Inverno. Antes de lá eu queria a USP, por causa do nome, por causa do status, por causa do meu orgulho. Começar uma faculdade com 25 anos, sabendo que eu vou formar no mínimo com quase 31, pra mim, é frustrante, como eu contei em Sobre me achar velha demais.

Vou me esforçar e ao mesmo tempo ir com calma para não me stressar e nem entrar em deprê novamente.

E acho que vou fazer duas grandes amizades com a G. e com a M., isso me anima muito, pois só tenho duas amigas que eu quase não converso por causa do trabalho e da distância. A J. está trabalhando em tempo integral e a D. foi pro Ceará, passou na UFC em Medicina (ela é o meu orgulho).

Estou em paz, animada e esperançosa. Vai dar tudo certo dessa vez.

Que tudo dê certo

Imagem 0035 - palito picole ficar depe laboratorioO primeiro semestre de 2014 será o meu segundo semestre de faculdade. Estou nervosa como se fosse a primeira vez que eu entrasse na faculdade. Semestre passado eu fiz besteira, não porque eu quis, mas porque aconteceu, e estou com medo de que aconteça novamente.

Mudei-me para São Paulo em Maio de 2010 e não sabia o que eu queria fazer de faculdade, tinha passado por muita coisa ruim e estava desorientada. A única coisa que eu sabia que teria que fazer para não continuar na casa dos meus pais, era trabalhar e me estabilizar para não precisar pedir dinheiro para ele. Assim eu fiz, e passei até o final de 2010 trabalhando, quando eu decidi quais os caminhos que eu iria percorrer.

Em 2011 eu entrei em um cursinho pré-vestibular, tinha decidido que Arquitetura e Urbanismo não iria dar certo e escolhi Engenharia Civil, fiquei até Junho no cursinho e, por conta de mais problemas, no setor amoroso dessa vez, abandonei o cursinho. Entrei em depressão mais uma vez, me afastei pelo INSS, voltei para Minas Gerais, não conseguia estudar, foi o ó.

Aos poucos fui me recuperando em 2012 conheci o W., larguei o emprego e prestei ENEM, fomos morar juntos. Em 2013 começamos a fazer cursinho pré-vestibular juntos. Então foi uma mescla de problemas financeiros e mais um resquício de depressão, larguei o cursinho pela segunda vez, me sentia derrotada.

No entanto, em 2012, apesar dos pesares eu estudei quando estava recebendo dinheiro através do Seguro Desemprego e fui razoavelmente bem no ENEM, tirei 717. Não consegui passar no começo do ano para Engenharia Civil, voltei a trabalhar e em Julho eu passei para Engenharia de Produção. Não queria fazer, mas o W. me incentivou a ir fazer a matrícula e ir ver pelo menos como era, já que é Federal e eu não iria pagar nada por isso mesmo.

Fui, fiz e gostei. Ainda quero a Engenharia Civil, mas a Engenharia de Produção é bem legal, ainda mais no IFSP do Campus São Paulo que é muito voltada para a área de Mecânica. Só que eu comecei a entrar em depressão de novo, porque não estava dando conta de trabalhar e estudar. Larguei o emprego novamente com todo o apoio do W., mas o estrago já estava feito. Não consegui recuperar a matéria perdida, comecei a ficar triste, afundei em várias provas e perdi prazos de trabalhos, não queria mais ir para as aulas. Juntou com a situação de pouco dinheiro, e quase não ter roupas para ir para a faculdade.

Quando eu digo pouca roupa, é pouca roupa mesmo! Tenho uma única calça jeans e duas blusas de moletom, e para o frio que faz em São Paulo de manhã, na época do inverno, mais o IFSP que tem as salas de aulas geladas no inverno, não dá pra nada. Mais os materiais de desenho, os livros caríssimos. Meus colegas de sala me chamando para ir tomar uma cerveja ou assistir um filme no cinema do Shopping ali perto. Não podia com nada disso.

E eu quis fazer muita coisa, aulas de alemão, participar do Diretório Acadêmico, colocaram-me como representante de sala (e eu aceitei) e fazer mais 10 disciplinas em que todos os professores exigem muito, foi a minha perdição. No final de Outubro já não conseguia ir mais, deixei todo mundo da minha sala na mão (já que eu era representante). Eu recebia auxílio financeiro da instituição e me sentia muito mal recebê-lo sem comparecer a faculdade.

Tudo começou a virar uma bola de neve e eu me escondi, morta de vergonha, por não ter dado conta de uma coisa que eu tanto queria. Se eu tivesse passado em todas as disciplinas, poderia pedir transferência interna para o curso de Engenharia Civil, que eu tanto quero, as matérias até o terceiro semestre são basicamente as mesmas.

Entrei em depressão profunda não sei pela qual vez, passava os dias chorando, dormindo e comendo. Só não fui jubilada da faculdade porque eu escrevi um e-mail enorme para a professora de desenho, explicando a minha situação e digitalizei os desenhos que eu tinha feito, ela me passou com 6,5. De 10 matérias fui reprovada em 9.

Passei as férias em Minas Gerais, na casa dos meus pais, e meio que me recuperei. Estou um pouco mais confiante de que posso recuperar tudo isso, o W., continua me apoiando (às vezes, tenho medo dele se cansar de mim e da minha depressão e me deixar). O blog tem me ajudado muito com isso também, escrever, expor o que eu sinto, às vezes leio o que eu escrevi e encontro soluções.

Mas ainda assim, estou com muita vergonha de encarar os meus colegas e responder perguntas. Por isso do nervosismo, os deixei na mão, não gosto de falhar com essas coisas, mas não posso me culpar por causa da minha doença. Depressão não se cura, aprende-se a conviver com ela e eu estou tentando. Tenho que enfrentar, não é mesmo? Amanhã começam as minhas aulas, eu não consegui dormir essa madrugada e vou virada mesmo. Quero que ninguém me note, que ninguém ligue para mim, quero ir, assistir as aulas e voltar pra casa. Me desejem sorte?

Mercúrio na Casa 11

Imagem 0034 - terco madeiraNão faz muito tempo, até dois anos atrás eu era obcecada pela Astrologia, por Misticismo, por Tarot e pela Wicca. As minhas decisões do dia a dia eram baseadas no horóscopo diário e no jogo de Tarot da semana.

Não sei bem ao certo como e quando isso começou, lembro que eu odiava ir à Missa com a minha mãe, aquela 1 hora tendo que sentar e levantar, cantar, repetir ou ouvir o que Padre dizia acabava comigo. Minha cabeça nunca esteve ali, entrava na Igreja e click: o cérebro ligava a imaginação. Um Domingo estava imaginando meu futuro como uma pessoa normal, no outro se eu fosse milionária e no outro se eu virasse mochileira. O Catolicismo não se adaptava a mim, achava uma babaquice toda àquela história de dogmas e da Bíblia.

Pra quem não sabe, a Wicca é uma religião neopagã, matriarcal, super da natureza, que cultua um Deus e uma Deusa. Os seus seguidores são os bruxos ou bruxas e o símbolo é um pentagrama dentro de um círculo. Achava que por eu me dizer bruxa conseguia mudar a cor dos meu olhos, fazer com que as pesssoas me enxergassem mais magra, eu vivia em um mundo paralelo. Malditos sejam Marion Zimmer Bradley, The Craft (Jovens Bruxas), Practical Magic (Da Magia à Sedução), Scott Cuningham e Eddie Van Feu. Aaaahn Eddie Van Feu (tentando relembrar o nome, achei ela no Facebook, até estou curtindo sua fan page em nome do meu passado sombrio, hahaha!). E teve também o clássico jogo “Converse com o seu anjo”, da Estrela, da Mônica Buonfiglio, pra resumir, era preciso, no mínimo, invocar o anjo (se é que era um anjo) e ir perguntando coisas a ele, quantas horas perdidas nisso, poderia escrever um post exclusivo pra isso, não sei como ninguém da época não achava estranho e o “brinquedo” vendia.

A Wicca foi a primeira que se dissipou da minha vida quando entendi que todas as religiões são a mesma coisa: invenção dos homens. Jostein Gaarder, obrigada pelas perguntas: “Quem é você?” e “De onde vem o mundo?”, graças à elas pude entender as religiões de uma forma mais simples e prática.

Depois foi o Tarot que sumiu da minha vida, e os meus agradecimentos vão para Edward Lorenz, a Teoria do Caos e o Efeito Borboleta. Não tem como prever o futuro, cada ação de agora reflete na seguinte. Não acredito em predestinação nem no caso do amor. Todo mundo vai sim achar a sua metade da laranja, mas essa metade vai ter as mesmas ideias, a mesma sintonia, e querer as mesmas coisas, amor é ó um tipo de interesse, um interesse bonito, mas não deixa de ser o que é. Uma vez, li não sei onde, que o Tarot reflete tudo o que já se sabe, são cartas com significados que podem ser mil e uma vez interpretados para a situação vivida, e depois dessa interpretação sente-se muito bem ou muito mal, mas sempre com muita vontade de viver (no caso de se sentir bem) ou de mudar de vida (no caso de se sentir mal).

E o horóscopo não era esse de jornal não. Era o de previsão completa, com direito a mapas astrais e sinastrias. Isso eu sei como começou: foi quando eu achei lá em casa uns papeis velhos e amarelados, dessas impressoras matriciais, cheio de nomes de planetas e ângulos, com o MEU NOME e uma previsão completa SOBRE MIM, do dia do meu nascimento, que meu pai mandou fazer (pois é, meu pai, quem diria). Eu nem um pouco supersticiosa, vi claramente os sinais do mundo sendo enviados a mim. Blergh!

Não vou dizer que deixei 100% de lado tudo isso, de vez em quando (de vez em quando MESMO, tipo uma vez a cada três meses) tenho a curiosidade e acesso o Personare, dou uma olhada nos meus próximos trânsitos astrológicos e depois esqueço.

Poderia estar aqui, falando sobre a Vênus Retrógrada e Mercúrio na Casa 11, ou sobre como “O Louco” influência no relacionamento. Aprendi a desenhar mapas e ler Tarot, li livros e mais livros sobre isso, só que hoje, pra mim, já não faz mais sentido. E é cansativo ficar tentando prever o que vai acontecer e ficar se prevenindo de todas as coisas ruins.

Tenho um conhecido-totalmente-místico que me mataria se lesse isto. Hahaha.

Voltei a ser Católica como uma boa brasileira que sou, se diz Católica mas nunca vai à missa. Hahaha! É mais simples rezar antes de dormir, e pedir que se houver alguém que esteja olhando por mim, que me ajude a viver só mais um dia e que me traga paz. Não quero mais descobrir os mistérios da vida ou mudar o mundo. Só quero paz e um pouquinho de dinheiro pra viver confortável.

Mudanças e mudanças

Imagem 0009 - ita minas geraisEstou falando daquelas de caixas, caminhão e bagunça.

Comparando a primeira vez que eu fiz uma mudança com a última em 2012, a primeira me parece agora bem estranha. Lembro que foi praticamente de um dia para o outro, tudo muito rápido, sem nenhum planejamento. Tinha passado no vestibular, o dia seguinte seria o da matrícula, a cidade para onde eu fui, Viçosa, é muito longe da que os meus pais moram… eu queria sair de casa, eu queria liberdade, não queria ninguém me abelhando. E assim foi.

Descobri coisas boas e coisas ruins de morar “sozinha”. “Sozinha” porque eu morava com mais pessoas, eu não devia satisfações sobre a minha vida pessoal a elas, e morar com amigos ou colegas, infelizmente, não preenche um espaço no coração que só a família consegue (demorei anos pra aprender isso). É complicado morar com pessoas “estranhas”, diria até que árduo. Algumas roubam, outras não tem noção do espaço alheio, e tem aquelas que devem ter estuprado a mãe para se satisfazerem: são ruins e sádicas. E quando se mora com um amigo (a), a amizade vira um inferno. Jogo de cintura é pouco, e eu quase tive um infarto, aguentei sete anos nessa vida, ao todo foram quatorze endereços diferentes. Repúblicas conhecidas e desconhecidas, casa de amigos, pensão e casa de desconhecidos, eu cheguei a morar com mais 19 pessoas em uma república GLS.

Quis voltar pra casa dos meus pais. Tive que voltar pra casa dos meus pais. Só que não consegui mais morar lá, o que eles pensam e a rotina deles é muito diferente do que eu penso e da minha nova rotina (ou a falta dela).

Estou em São Paulo agora, morando com o meu namorado, minha vida está bem, só falta a segurança financeira agora para dar rumo nos nossos projetos.

Sem dinheiro não somos nada, e para conseguir dinheiro perdemos tempo. Precisamos do dinheiro para fazer as coisas que gostamos e quando o temos não há tempo. Vivo nessa indecisão, sobre o que priorizar. Talvez essa seja a minha depressão, tudo o que eu sofro e levo comigo. Lidar com mudanças que não são do jeito que eu quero.

Talvez tenha que me mudar novamente no final desse ano. Estou com medo.

Sobre me achar velha demais

Imagem 0007 - nascer do sol taboao da serraEu me acho velha demais para estar no segundo semestre de uma nova faculdade. Com 26 anos deveria ter terminado um mestrado, estar no estrangeiro fazendo algum projeto referente a minha área ou melhorando uma possível segunda, terceira ou quarta língua. Alguns dos meus colegas do Ensino Médio estão viajando academicamente – Munique, Barcelona, EUA e outros que não me recordo no momento. Todos eles já terminaram o Ensino Superior. E eu aqui, com uma faculdade que deixei pra trás aos quarenta minutos do segundo tempo, e nunca, sequer, andei de avião. Não, não me arrependo em ter largado a faculdade de Pedagogia, aquilo não me fazia bem, um outro dia eu falo exclusivamente sobre isso.

As pessoas insistem em dizer que eu sou nova, que existem muitas pessoas que começam a faculdade depois do casamento e filhos.

– Ahn, você não viu o caso daquele senhor que entrou na faculdade de medicina junto com o filho de dezoito anos? 

– Vi. 

– Então, você é muito nova, larga a mão de ser boba, você pode fazer quantas faculdades quiser! 

– É, pode ser. Valeu. 

Esse “valeu” sai sempre meio xôxo, por vontade de berrar e expressar todos os meus medos sobre esse tipo de situação e, ao mesmo tempo, tentar ser educada e não me estressar com alguém que nunca vai entender o meu ponto de vista ou o que eu sinto. Segunda circunstância, a pessoa é tão bem intencionada que eu não tenho coragem de acabar com a tentativa altruísta da pessoa de me dar uma injeçãozinha de ânimo.

O que me mata é não ter feito as coisas no tempo certo, não ter ouvido os meus pais quando eu tinha meus dezessete anos. Eu quero muito fazer Engenharia Civil e também tenho consciência que devido as minhas escolhas no passado, não me sobra outra alternativa, tenho que adiar os outros planos/sonhos da minha vida, como por exemplo, ser mãe. Não gostaria de ter minha primeira filha muito velha com trinta e todos poucos anos. Vida acadêmica ou filhos (não vou nem entrar no quesito econômico), para mim, isso parece ser árduo e penoso, não sei se é possível conciliar os dois, e eu gosto tanto de estudar. Todas as viagens, festas, seminários, noites em claro estudando ou terminando algum artigo, são coisas que eu realmente quero muito e preciso, sei que se eu não terminar pelo menos uma faculdade serei uma pessoa muito frustrada e amarga. E eu quero muito ser mãe também, aguentar birra de filho em shopping, chorar em uma apresentação de fim de ano da escolinha, sentir a saudades que a minha mãe diz que sentia quando íamos pra escola quando pequenos.

A única coisa que eu tenho certeza é que, se eu não conseguir ser uma pessoa realizada e feliz, meus futuros filhos também não conseguirão ser, eu seria aquele tipo de mãe que fode com tudo, sabe? Que não conseguiria brincar, imaginar e voltar a ser criança. Eu gosto de desafios, e sei que vou me dar bem nesse. Sei que daqui dez anos vou reler esse post e dar risada de toda essa insegurança. Sim, isso nada mais é do que insegurança.