Sobre me achar velha demais

Imagem 0007 - nascer do sol taboao da serraEu me acho velha demais para estar no segundo semestre de uma nova faculdade. Com 26 anos deveria ter terminado um mestrado, estar no estrangeiro fazendo algum projeto referente a minha área ou melhorando uma possível segunda, terceira ou quarta língua. Alguns dos meus colegas do Ensino Médio estão viajando academicamente – Munique, Barcelona, EUA e outros que não me recordo no momento. Todos eles já terminaram o Ensino Superior. E eu aqui, com uma faculdade que deixei pra trás aos quarenta minutos do segundo tempo, e nunca, sequer, andei de avião. Não, não me arrependo em ter largado a faculdade de Pedagogia, aquilo não me fazia bem, um outro dia eu falo exclusivamente sobre isso.

As pessoas insistem em dizer que eu sou nova, que existem muitas pessoas que começam a faculdade depois do casamento e filhos.

– Ahn, você não viu o caso daquele senhor que entrou na faculdade de medicina junto com o filho de dezoito anos? 

– Vi. 

– Então, você é muito nova, larga a mão de ser boba, você pode fazer quantas faculdades quiser! 

– É, pode ser. Valeu. 

Esse “valeu” sai sempre meio xôxo, por vontade de berrar e expressar todos os meus medos sobre esse tipo de situação e, ao mesmo tempo, tentar ser educada e não me estressar com alguém que nunca vai entender o meu ponto de vista ou o que eu sinto. Segunda circunstância, a pessoa é tão bem intencionada que eu não tenho coragem de acabar com a tentativa altruísta da pessoa de me dar uma injeçãozinha de ânimo.

O que me mata é não ter feito as coisas no tempo certo, não ter ouvido os meus pais quando eu tinha meus dezessete anos. Eu quero muito fazer Engenharia Civil e também tenho consciência que devido as minhas escolhas no passado, não me sobra outra alternativa, tenho que adiar os outros planos/sonhos da minha vida, como por exemplo, ser mãe. Não gostaria de ter minha primeira filha muito velha com trinta e todos poucos anos. Vida acadêmica ou filhos (não vou nem entrar no quesito econômico), para mim, isso parece ser árduo e penoso, não sei se é possível conciliar os dois, e eu gosto tanto de estudar. Todas as viagens, festas, seminários, noites em claro estudando ou terminando algum artigo, são coisas que eu realmente quero muito e preciso, sei que se eu não terminar pelo menos uma faculdade serei uma pessoa muito frustrada e amarga. E eu quero muito ser mãe também, aguentar birra de filho em shopping, chorar em uma apresentação de fim de ano da escolinha, sentir a saudades que a minha mãe diz que sentia quando íamos pra escola quando pequenos.

A única coisa que eu tenho certeza é que, se eu não conseguir ser uma pessoa realizada e feliz, meus futuros filhos também não conseguirão ser, eu seria aquele tipo de mãe que fode com tudo, sabe? Que não conseguiria brincar, imaginar e voltar a ser criança. Eu gosto de desafios, e sei que vou me dar bem nesse. Sei que daqui dez anos vou reler esse post e dar risada de toda essa insegurança. Sim, isso nada mais é do que insegurança.

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