Expectativas para o 1º Semestre de 2014

Imagem 0038 - ifsp patio predio arvoresAcho que vai ser bom, muito bom. Estou animada, determinada e com foco. Depois dos primeiros dias de aula, posso dizer que em relação a minha turma vai ser bem tranquilo, escolheram outro representante de sala e não terei mais responsabilidades desse tipo. Apesar de que, se eu me recuperar bem nesse semestre, talvez eu quisesse recuperar meu posto.

Vou estudar alemão e inglês em casa, um dia na semana para cada um. Já comecei a pegar firma em Programação, estamos aprendendo a programar em C#. Com Desenho vou ter que rever algumas coisas do Semestre passado, já que eu não cheguei a fazer todos os desenhos. E o professor de Cálculo Numérico é um fofo, é daquelas pessoas que nasceram para ser professor! Ele tem calma, paciência e explica tudo muito detalhado, nunca entendi o método de Jordan -Gauss tão bem na minha vida!

Para equilibrar, não fui com a cara da professora de Metrologia, não sei se foi a bolsa cor de rosa pink cafona, o vestido mais fora de moda ou o cabelo de cogumelo.  Deveria ter tirado uma foto, à surdina, para vocês verem. Não é porque é mulher e engenheira que não pode gostar de moda e tem que andar desarrumada, muito pelo contrário. Eu não ando bonitona porque não tenho dinheiro, mas bom gosto pra roupa eu sei que eu tenho e muito bom gosto, por isso me dou o direito de meter o pau nas patricinhas da faculdade e nas professoras, hahaha!

Estou adquirindo a filosofia dos Babysteps das Flyladies, ainda quero fazer muita coisa mesmo, mas um passinho de cada vez. Meu objetivo principal é tirar notas boas em todas as disciplinas e, se der, me inscrever para o Ciência sem Fronteiras daqui um ou dois anos.

Acontece que eu estou mais calma. Estava em um ritmo mais do que acelerado por causa do trabalho em 2013, mal tinha tempo para respirar. Depois que eu deixei o serviço, continuei nesse ritmo e as minhas tardes, depois das aulas não rendiam, passavam voando. Esse ano, minha cabeça está totalmente desanuviada e completamente focada na faculdade, nos estudos de línguas e no meu blog.

Quero pedir desculpas pelos últimos posts serem de cunho tão pessoal, mas é o que eu tenho vivido, e ainda estou em processo de adaptação de rotina, sem horários para sentar e escrever totalmente focada no blog. Acredito que eu precise só mais de uma semana para acertar tudo e vou conseguir pensar em posts mais informativos. Sei que é legal ler sobre a vida de outra pessoa, a gente se identifica e repensa a própria vida, o Banana Groselha é muito voltado para o lado pessoal, mas quero fazer de forma que eu acrescente algo na vida de vocês também, trazendo dicas e soluções para os problemas rotineiros que eu passo, que muitas vezes é o que vocês também estão passando, que passaram ou que passarão em suas vidas.

Estou com muitas ideias para os próximos posts, peço que aguardem, e que tenham paciência. Quando escrevo sobre mim e sobre o que eu estou passando é a minha terapia, me sinto menos depressiva quando acabo e menos ainda quando sei que tem pessoas lendo. Quando um post totalmente pessoal faz sucesso, e recebo cerca de 6 a 10 comentários e mais ou menos 50 visualizações de 15 pessoas, fico MUITO feliz, e é melhor do que qualquer remédio antidepressivo ou antipsicótico que eu já tenha tomado em minha vida. Só tenho a agradecer. Obrigada mesmo.

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1º dia de aula do 2º Semestre de Engenharia de Produção

Imagem 0036 - ifsp sol inverno caixa aguaFoi tudo tranquilo, quem diria? Senti paz em estar ali, com as esperanças renovadas de que eu vou conseguir.

No trajeto de metrô, me sentia tremer e suar frio. Ler não estava resolvendo e muito menos ouvir música. Estava com medo das perguntas ou das cobranças. Eu dei mancada no semestre passado, estava esperando retaliações ou, no mínimo, satisfações. Tirando uma menina, ninguém me perguntou nada e muito menos cobrou qualquer coisa de mim. Até achei que ficaram felizes de me ver, brincaram comigo e me trataram bem, principalmente os meninos.

Mas esse semestre vai ser puxado. Vou fazer sete disciplinas, sendo que duas é do semestre anterior. Álgebra Linear, Desenho para Engenharia II, Metrologia Dimensional, Cálculo Numérico, Programação de Computadores II, Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia I e Geometria Analítica e Vetores. Não vou ter aulas na Segunda (estou realmente muito feliz com isso) e de Terça e Quarta terei aulas à tarde, até 15h 30min (salvo engano).

Eu realmente gosto daquele lugar, por mais que seja um prédio bem velhinho, cheio de goteiras, salas precisando de boas reformas, um calor infernal no Verão e um frio polar no Inverno. Antes de lá eu queria a USP, por causa do nome, por causa do status, por causa do meu orgulho. Começar uma faculdade com 25 anos, sabendo que eu vou formar no mínimo com quase 31, pra mim, é frustrante, como eu contei em Sobre me achar velha demais.

Vou me esforçar e ao mesmo tempo ir com calma para não me stressar e nem entrar em deprê novamente.

E acho que vou fazer duas grandes amizades com a G. e com a M., isso me anima muito, pois só tenho duas amigas que eu quase não converso por causa do trabalho e da distância. A J. está trabalhando em tempo integral e a D. foi pro Ceará, passou na UFC em Medicina (ela é o meu orgulho).

Estou em paz, animada e esperançosa. Vai dar tudo certo dessa vez.

Que tudo dê certo

Imagem 0035 - palito picole ficar depe laboratorioO primeiro semestre de 2014 será o meu segundo semestre de faculdade. Estou nervosa como se fosse a primeira vez que eu entrasse na faculdade. Semestre passado eu fiz besteira, não porque eu quis, mas porque aconteceu, e estou com medo de que aconteça novamente.

Mudei-me para São Paulo em Maio de 2010 e não sabia o que eu queria fazer de faculdade, tinha passado por muita coisa ruim e estava desorientada. A única coisa que eu sabia que teria que fazer para não continuar na casa dos meus pais, era trabalhar e me estabilizar para não precisar pedir dinheiro para ele. Assim eu fiz, e passei até o final de 2010 trabalhando, quando eu decidi quais os caminhos que eu iria percorrer.

Em 2011 eu entrei em um cursinho pré-vestibular, tinha decidido que Arquitetura e Urbanismo não iria dar certo e escolhi Engenharia Civil, fiquei até Junho no cursinho e, por conta de mais problemas, no setor amoroso dessa vez, abandonei o cursinho. Entrei em depressão mais uma vez, me afastei pelo INSS, voltei para Minas Gerais, não conseguia estudar, foi o ó.

Aos poucos fui me recuperando em 2012 conheci o W., larguei o emprego e prestei ENEM, fomos morar juntos. Em 2013 começamos a fazer cursinho pré-vestibular juntos. Então foi uma mescla de problemas financeiros e mais um resquício de depressão, larguei o cursinho pela segunda vez, me sentia derrotada.

No entanto, em 2012, apesar dos pesares eu estudei quando estava recebendo dinheiro através do Seguro Desemprego e fui razoavelmente bem no ENEM, tirei 717. Não consegui passar no começo do ano para Engenharia Civil, voltei a trabalhar e em Julho eu passei para Engenharia de Produção. Não queria fazer, mas o W. me incentivou a ir fazer a matrícula e ir ver pelo menos como era, já que é Federal e eu não iria pagar nada por isso mesmo.

Fui, fiz e gostei. Ainda quero a Engenharia Civil, mas a Engenharia de Produção é bem legal, ainda mais no IFSP do Campus São Paulo que é muito voltada para a área de Mecânica. Só que eu comecei a entrar em depressão de novo, porque não estava dando conta de trabalhar e estudar. Larguei o emprego novamente com todo o apoio do W., mas o estrago já estava feito. Não consegui recuperar a matéria perdida, comecei a ficar triste, afundei em várias provas e perdi prazos de trabalhos, não queria mais ir para as aulas. Juntou com a situação de pouco dinheiro, e quase não ter roupas para ir para a faculdade.

Quando eu digo pouca roupa, é pouca roupa mesmo! Tenho uma única calça jeans e duas blusas de moletom, e para o frio que faz em São Paulo de manhã, na época do inverno, mais o IFSP que tem as salas de aulas geladas no inverno, não dá pra nada. Mais os materiais de desenho, os livros caríssimos. Meus colegas de sala me chamando para ir tomar uma cerveja ou assistir um filme no cinema do Shopping ali perto. Não podia com nada disso.

E eu quis fazer muita coisa, aulas de alemão, participar do Diretório Acadêmico, colocaram-me como representante de sala (e eu aceitei) e fazer mais 10 disciplinas em que todos os professores exigem muito, foi a minha perdição. No final de Outubro já não conseguia ir mais, deixei todo mundo da minha sala na mão (já que eu era representante). Eu recebia auxílio financeiro da instituição e me sentia muito mal recebê-lo sem comparecer a faculdade.

Tudo começou a virar uma bola de neve e eu me escondi, morta de vergonha, por não ter dado conta de uma coisa que eu tanto queria. Se eu tivesse passado em todas as disciplinas, poderia pedir transferência interna para o curso de Engenharia Civil, que eu tanto quero, as matérias até o terceiro semestre são basicamente as mesmas.

Entrei em depressão profunda não sei pela qual vez, passava os dias chorando, dormindo e comendo. Só não fui jubilada da faculdade porque eu escrevi um e-mail enorme para a professora de desenho, explicando a minha situação e digitalizei os desenhos que eu tinha feito, ela me passou com 6,5. De 10 matérias fui reprovada em 9.

Passei as férias em Minas Gerais, na casa dos meus pais, e meio que me recuperei. Estou um pouco mais confiante de que posso recuperar tudo isso, o W., continua me apoiando (às vezes, tenho medo dele se cansar de mim e da minha depressão e me deixar). O blog tem me ajudado muito com isso também, escrever, expor o que eu sinto, às vezes leio o que eu escrevi e encontro soluções.

Mas ainda assim, estou com muita vergonha de encarar os meus colegas e responder perguntas. Por isso do nervosismo, os deixei na mão, não gosto de falhar com essas coisas, mas não posso me culpar por causa da minha doença. Depressão não se cura, aprende-se a conviver com ela e eu estou tentando. Tenho que enfrentar, não é mesmo? Amanhã começam as minhas aulas, eu não consegui dormir essa madrugada e vou virada mesmo. Quero que ninguém me note, que ninguém ligue para mim, quero ir, assistir as aulas e voltar pra casa. Me desejem sorte?

Mercúrio na Casa 11

Imagem 0034 - terco madeiraNão faz muito tempo, até dois anos atrás eu era obcecada pela Astrologia, por Misticismo, por Tarot e pela Wicca. As minhas decisões do dia a dia eram baseadas no horóscopo diário e no jogo de Tarot da semana.

Não sei bem ao certo como e quando isso começou, lembro que eu odiava ir à Missa com a minha mãe, aquela 1 hora tendo que sentar e levantar, cantar, repetir ou ouvir o que Padre dizia acabava comigo. Minha cabeça nunca esteve ali, entrava na Igreja e click: o cérebro ligava a imaginação. Um Domingo estava imaginando meu futuro como uma pessoa normal, no outro se eu fosse milionária e no outro se eu virasse mochileira. O Catolicismo não se adaptava a mim, achava uma babaquice toda àquela história de dogmas e da Bíblia.

Pra quem não sabe, a Wicca é uma religião neopagã, matriarcal, super da natureza, que cultua um Deus e uma Deusa. Os seus seguidores são os bruxos ou bruxas e o símbolo é um pentagrama dentro de um círculo. Achava que por eu me dizer bruxa conseguia mudar a cor dos meu olhos, fazer com que as pesssoas me enxergassem mais magra, eu vivia em um mundo paralelo. Malditos sejam Marion Zimmer Bradley, The Craft (Jovens Bruxas), Practical Magic (Da Magia à Sedução), Scott Cuningham e Eddie Van Feu. Aaaahn Eddie Van Feu (tentando relembrar o nome, achei ela no Facebook, até estou curtindo sua fan page em nome do meu passado sombrio, hahaha!). E teve também o clássico jogo “Converse com o seu anjo”, da Estrela, da Mônica Buonfiglio, pra resumir, era preciso, no mínimo, invocar o anjo (se é que era um anjo) e ir perguntando coisas a ele, quantas horas perdidas nisso, poderia escrever um post exclusivo pra isso, não sei como ninguém da época não achava estranho e o “brinquedo” vendia.

A Wicca foi a primeira que se dissipou da minha vida quando entendi que todas as religiões são a mesma coisa: invenção dos homens. Jostein Gaarder, obrigada pelas perguntas: “Quem é você?” e “De onde vem o mundo?”, graças à elas pude entender as religiões de uma forma mais simples e prática.

Depois foi o Tarot que sumiu da minha vida, e os meus agradecimentos vão para Edward Lorenz, a Teoria do Caos e o Efeito Borboleta. Não tem como prever o futuro, cada ação de agora reflete na seguinte. Não acredito em predestinação nem no caso do amor. Todo mundo vai sim achar a sua metade da laranja, mas essa metade vai ter as mesmas ideias, a mesma sintonia, e querer as mesmas coisas, amor é ó um tipo de interesse, um interesse bonito, mas não deixa de ser o que é. Uma vez, li não sei onde, que o Tarot reflete tudo o que já se sabe, são cartas com significados que podem ser mil e uma vez interpretados para a situação vivida, e depois dessa interpretação sente-se muito bem ou muito mal, mas sempre com muita vontade de viver (no caso de se sentir bem) ou de mudar de vida (no caso de se sentir mal).

E o horóscopo não era esse de jornal não. Era o de previsão completa, com direito a mapas astrais e sinastrias. Isso eu sei como começou: foi quando eu achei lá em casa uns papeis velhos e amarelados, dessas impressoras matriciais, cheio de nomes de planetas e ângulos, com o MEU NOME e uma previsão completa SOBRE MIM, do dia do meu nascimento, que meu pai mandou fazer (pois é, meu pai, quem diria). Eu nem um pouco supersticiosa, vi claramente os sinais do mundo sendo enviados a mim. Blergh!

Não vou dizer que deixei 100% de lado tudo isso, de vez em quando (de vez em quando MESMO, tipo uma vez a cada três meses) tenho a curiosidade e acesso o Personare, dou uma olhada nos meus próximos trânsitos astrológicos e depois esqueço.

Poderia estar aqui, falando sobre a Vênus Retrógrada e Mercúrio na Casa 11, ou sobre como “O Louco” influência no relacionamento. Aprendi a desenhar mapas e ler Tarot, li livros e mais livros sobre isso, só que hoje, pra mim, já não faz mais sentido. E é cansativo ficar tentando prever o que vai acontecer e ficar se prevenindo de todas as coisas ruins.

Tenho um conhecido-totalmente-místico que me mataria se lesse isto. Hahaha.

Voltei a ser Católica como uma boa brasileira que sou, se diz Católica mas nunca vai à missa. Hahaha! É mais simples rezar antes de dormir, e pedir que se houver alguém que esteja olhando por mim, que me ajude a viver só mais um dia e que me traga paz. Não quero mais descobrir os mistérios da vida ou mudar o mundo. Só quero paz e um pouquinho de dinheiro pra viver confortável.